
Qual é a energia mais barata em setembro de 2026? O balanço do ano até aqui
Qual é a energia mais barata em setembro de 2026? O balanço do ano até aqui ⚡️
Em janeiro, a eletricidade mais barata custava cerca de 13 cêntimos por kWh. Em julho, uma das tarifas mais competitivas do mercado passou a custar quase 20 cêntimos, de um mês para o outro, sem grande aviso prévio para quem já tinha contrato. Recolhemos os números, mês a mês, contamos o que mudou e respondemos, no fim, à pergunta óbvia: qual é a comercializadora mais barata em setembro?
O ano até aqui, mês a mês 🔍
O mercado de eletricidade em Portugal tem uma referência que serve, no fundo, para medir tudo o resto, que é a tarifa regulada da SU Eletricidade que, em 2026, tem o valor do kwh nos 16 cêntimos. Enquanto tarifa regulada, a mesma só é revista anualmente e, ao mesmo tempo, as comercializadoras do mercado livre tentam, todos os meses,ficar abaixo desse valor. Muitas conseguem, outras não tanto, e o panorama das comercializadoras mais competitivas muda com frequência.
Durante o ano de 2026 até agora, se formos a olhar para o meses do ano e quantas ofertas tivemos abaixo do valor do mercado regulado, verificamos que, em fevereiro, existiam 11 ofertas mais baratas do que a tarifa regulada, em março e abril esse número subiu para 13 ofertas, em maio caiu para 7, mantendo-se o mesmo número em julho, e voltou a subir para 12 em agosto. Estas mudanças mostram, precisamente, a volatilidade do mercado de energia Português.
No entanto, de todas as comercializadoras, há duas que dominaram praticamente o ano inteiro: a EDP Comercial e a G9 Energy. Ambas com tarifas fixas abaixo dos 14 cêntimos por kWh até meio do ano, seguidas de perto pela Endesa, Iberdrola e Yes. Vale ainda destacar a ACP, que através de um protocolo para associados chegou a oferecer 12,69 cêntimos por kWh para consumos elevados, tornando-se uma das ofertas mais baratas do ano, ainda que condicionada à inscrição na associação.
A mudança mais importante do ano: a G9 deixou de ter tarifa fixa 🤯
Até junho, a EDP e a G9 andavam lado a lado, as duas com tarifa fixa, e com valores na casa dos 13-14 cêntimos por kWh. No entanto, em julho, com a grande mudança da comercializadora G9, o contexto do mercado mudou.
A G9 Energy anunciou o fim dos seus contratos de tarifa fixa e passou todos os clientes para um preço indexado ao mercado grossista, atualizado a cada 15 minutos. O timing não podia ter sido pior, visto que esse mesmo mês trouxe uma onda de calor que disparou o consumo e, por consequência, o preço da eletricidade em todo o país. O resultado foi um salto do preço da G9 para perto de 20 cêntimos por kWh, quase o dobro do que era a norma até então, tendo a DECO Proteste chegado a estimar que a fatura de um perfil de consumo típico duplicaria.
Em agosto, com o mercado a arrefecer, o preço indexado da G9 desceu ligeiramente mas, como vamos ver a seguir, isso não chegou para a manter entre as ofertas mais competitivas do mercado.
Foi também em resposta a este episódio que entrou em vigor, no final de agosto, o Decreto-Lei n.º 130/2026, que obriga as grandes comercializadoras a ter sempre disponível pelo menos uma tarifa de preço fixo, sem a poderem alterar unilateralmente a meio do contrato. Ou seja: o que aconteceu com a G9 já não se pode repetir exatamente da mesma forma.
Setembro de 2026: o panorama mais recente 👇
Os dados mais atuais disponíveis vêm do simulador da ERSE, atualizado a 10 de setembro de 2026. Para o consumidor-tipo 2, uma família de 2 a 3 pessoas, com potência contratada de 6,9 kVA, e um consumo anual médio de 5000 kWh, o que corresponde a cerca de 417 kWh por mês, o quadro das ofertas mais competitivas é o seguinte, para o ciclo simples:

Figura 1. Comparação de tarifas de eletricidade em setembro de 2026
A EDP Comercial lidera a tabela com uma margem confortável sobre as restantes, com a sua oferta Eletricidade DD+FE, que consiste numa tarifa fixa disponível para novos clientes. Segue-se a Goldenergy, cerca de 70 cêntimos por mês acima, com algumas regras específicas de adesão. Depois há um salto maior até à Ibelectra, com uma oferta simples e sem condições associadas, e à Repsol e à GALP, ambas também simples, mas com algumas condições extras de adesão. A Repsol com reembolsos e descontos associados, e a GALP integrada numa oferta conjunta de eletricidade, GPL e combustível. É um bom lembrete de que o preço mais baixo na tabela nem sempre é o mais fácil de garantir na prática, já que a maioria destas ofertas exige condições específicas de adesão.
Uma nota sobre a G9 Energy, que disputou o primeiro lugar com a EDP durante grande parte do ano e, neste momento, a sua tarifa indexada já não aparece entre as cinco ofertas mais competitivas para este perfil, mesmo com o preço a ter descido em agosto.
Fixo ou indexado 📊
Se há uma lição clara nos primeiros nove meses de 2026, é que comparar o preço de uma tarifa indexada num único dia diz pouco sobre o que vais pagar daqui a três meses.
Numa tarifa fixa, o preço fica combinado no contrato e não muda, seja o que for que aconteça ao mercado grossista, que é o caso da oferta da EDP Comercial. Numa tarifa indexada, o preço segue o mercado de perto, com atualizações mensais ou, nalguns casos, várias vezes ao dia, o que se aplica agora à G9 desde julho. Isto pode ser uma vantagem quando o mercado está calmo, como em agosto, mas também pode disparar quando o mercado aquece, como aconteceu em julho.
Para quem valoriza a previsibilidade na fatura, uma tarifa fixa costuma fazer mais sentido. Para quem tem alguma tolerância a variações mensais e quer aproveitar as quedas do mercado grossista, uma indexada pode compensar, no entanto, exige acompanhamento mais próximo do que uma fixa.
Então, qual é a mais barata em setembro? ✅
Com base numa simulação direta no simulador da ERSE para o consumidor-tipo 2, a EDP Comercial é claramente a mais barata em setembro, com uma margem confortável sobre a segunda opção, a Goldenergy.
A simulação apresentada foi feita com base num contrato com ciclo simples, pelo que, se tens ciclo bi-horário ou tri-horário, podes usar o simulador para comparar. Podes usar o simulador da ERSE, mas tens também disponível o simulador online do Manie, que utiliza os dados da ERSE e que basta introduzires a tua fatura, que consegues ver as melhores ofertas para o teu perfil de consumo. Através do Manie, também consegues fazer a troca de comercializadora de forma automática. E para quem prefere não estar a fazer esta comparação com regularidade, o serviço automático do AutoSwitch faz esse acompanhamento de forma consistente e trata da mudança de comercializadora sempre que aparece uma oferta mais competitiva.
Dito isto, não existe uma vencedora definitiva e universal, e o valor exato de qualquer uma destas ofertas depende sempre da tua potência contratada, do teu tipo de tarifa (simples, bi-horária ou tri-horária) e do teu consumo real. A melhor forma de saber qual compensa mais para ti é comparar com base na tua própria fatura, não com base numa média nacional.
Perguntas frequentes 🙋
Qual é a eletricidade mais barata em Portugal neste momento?
Com dados da ERSE atualizados a 2 de setembro de 2026, a EDP Comercial está ligeiramente à frente, com a G9 Energy praticamente empatada. O valor exato depende do teu perfil de consumo, por isso o melhor é comparar com base na tua própria fatura.
Porque é que o preço da G9 mudou tanto este ano?
Em julho, a G9 terminou os contratos de tarifa fixa e passou os clientes para um preço indexado ao mercado grossista. Nesse mês, uma onda de calor fez o preço disparar para perto de 20 cêntimos por kWh; em agosto, com o mercado mais calmo, desceu para cerca de 14,96 cêntimos. Pode voltar a mudar em qualquer altura.
Uma tarifa indexada é sempre pior do que uma fixa?
Não necessariamente. Uma indexada pode ser mais barata quando o mercado grossista está baixo, como aconteceu em agosto. O risco é precisamente esse: não há garantia de que continue barata, como se viu em julho. Quem prefere previsibilidade tende a preferir uma tarifa fixa, mesmo pagando uma pequena diferença a mais.
Vale a pena sair da tarifa regulada?
Na maioria dos casos, sim — quase sempre há opções mais baratas no mercado livre. Mas a poupança exata depende do teu consumo real, por isso o melhor é comparar com base na tua própria fatura.


