
Frigorífico, forno, ar condicionado: quem gasta mais numa hora? 💡
Frigorífico, forno, ar condicionado: quem gasta mais numa hora? 💡
Colocámos, lado a lado, os aparelhos mais comuns de uma casa portuguesa e fizemos a mesma pergunta a todos: quanto custaria mantê-los ligados, sozinhos, durante exatamente uma hora? O resultado tem uma reviravolta que vale a pena perceber, que é, o frigorífico! Apesar de estar ligado o dia inteiro, é um dos aparelhos mais baratos nessa hora. Quem pesa mais, hora a hora, são os aparelhos que aquecem alguma coisa, como o forno, o ferro de engomar, o secador de cabelo.
Há duas variáveis que são fáceis de confundir quando se fala de consumo elétrico, como por exemplo, quanta energia é gasta por um aparelho por segundo (a potência, em watts) e durante quanto tempo fica ligado. Decidimos focar-nos na primeira, que é o que cada aparelho gasta na mesma hora, no sentido de perceber onde está mesmo a intensidade do consumo.
A mesma hora, para todos os aparelhos 🔋
Para que a comparação fosse justa, partimos da potência típica de cada um dos aparelhos, com base em orientações da ADENE, DGEG, Eurostat e PORDATA, e fizemos também as contas com a tarifa simples da ERSE para 2026 (0,1654 €/kWh), tendo em conta os dois extremos do dia, para perceber o que muda entre a hora de vazio (0,1087 €/kWh) e a hora de ponta (0,2495 €/kWh). Deixamos, em baixo, a tabela comparativa:

Tabela comparativa de consumos de aparelhos em 1 hora de utilização
O resultado aproxima o frigorífico da lâmpada e do carregador do telemóvel muito mais do que do forno ou do secador de cabelo. Faz sentido, se pensarmos no que o compressor realmente pede à rede, que é pouca potência, mesmo que ligue e desligue ao longo do dia inteiro. Quem pesa mais numa hora são sempre os aparelhos que têm de aquecer alguma coisa, como a água ou o aquecimento,o que só é possível quando há muita potência concentrada num curto espaço de tempo.
O ar condicionado é talvez a surpresa mais simpática desta lista: por hora, custa praticamente o mesmo que um aspirador ou uma máquina de lavar roupa a trabalhar, ou seja, está longe de ser o aparelho "caro", que é o que a maioria das pessoas acham. Uma unidade split comum ronda o 1 kW de potência elétrica (entre cerca de 0,5 kW e 1,5 kW, consoante a capacidade e o tamanho da divisão a climatizar, segundo a DECO PROteste). O que pesa mesmo na fatura, tal como acontece com o frigorífico, nunca foi o custo de cada hora isolada, mas sim o número de horas seguidas que fica ligado nos dias mais quentes.
Então porque é que o frigorífico continua a pesar na fatura? ❄️
Apesar de o frigorífico ser um dos aparelhos que mais pesa na fatura da eletricidade, isso não acontece porque consome muita energia a cada hora. Na realidade, a sua potência é relativamente baixa quando comparada com a de equipamentos como um forno ou uma máquina de secar. A diferença está no tempo de utilização: o frigorífico está ligado 24 horas por dia, o que corresponde a cerca de 720 horas por mês. Ao longo desse período, o consumo vai-se acumulando e acaba por superar o de muitos aparelhos mais potentes, mas que são utilizados apenas durante alguns minutos ou algumas horas por semana. Neste caso, não se trata de uma questão de mudar hábitos ou gerir horários de utilização, já que o frigorífico precisa de estar permanentemente ligado para cumprir a sua função.
O mesmo princípio ajuda a explicar o chamado consumo fantasma. Carregadores esquecidos na tomada, televisões e boxes em modo de espera ou micro-ondas com o relógio permanentemente ligado consomem muito pouca energia individualmente, até menos do que um frigorífico. No entanto, como permanecem ligados durante todo o dia, esse consumo contínuo acaba por ter um impacto relevante na fatura ao longo do ano. Estima-se, com base em investigação financiada pela Comissão Europeia, que o consumo fantasma representa cerca de 305 kWh por habitação por ano, o equivalente a aproximadamente 11% da eletricidade consumida numa casa. Pequenos consumos, quando se prolongam no tempo, podem acabar por fazer uma diferença maior do que aquilo que parece à primeira vista.
A hora do dia também conta. Mas só faz diferença quando o consumo também faz. 🕣
A tabela acima mostra que, na prática, nem todos os aparelhos justificam a preocupação de serem utilizados em determinada hora do dia. Nos equipamentos de menor potência, como uma lâmpada, o carregador de um telemóvel ou até um frigorífico, a diferença de custo entre utilizá-los em horas de vazio ou em horas de ponta é quase imperceptível, correspondendo apenas a frações de cêntimos. Por isso, para este tipo de consumo, não compensa alterar hábitos ou gerir os horários de utilização.
Já nos aparelhos de maior potência, o impacto da tarifa escolhida torna-se bastante mais evidente. Um forno elétrico, por exemplo, ligado durante uma hora, pode custar cerca de 0,22 € em horas de vazio, mas aproximadamente 0,50 € em horas de ponta, ou seja, mais do dobro. O mesmo acontece com outros equipamentos que consomem muita energia, como a máquina de lavar roupa, a máquina de secar ou até um secador de cabelo, sobretudo quando são utilizados durante períodos mais longos.
Assim, para quem tem uma tarifa bi-horária ou tri-horária, faz sentido concentrar a utilização destes equipamentos nas horas de vazio, uma vez que essa simples alteração pode traduzir-se numa poupança significativa ao longo do tempo. Em contrapartida, para os consumidores com tarifa simples, esta gestão deixa de ter relevância, já que o preço da eletricidade se mantém constante independentemente da hora a que os aparelhos são utilizados.
E no verão, o frigorífico (e o ar condicionado) ainda pesam mais ☀️
Com a chegada dos dias mais quentes, alguns aparelhos passam naturalmente a consumir mais eletricidade, sendo o frigorífico um dos principais exemplos. Embora a potência com que funciona se mantenha praticamente igual, o calor obriga o compressor a trabalhar durante mais tempo e com maior frequência para manter a temperatura no interior. Como resultado, o consumo total aumenta, conforme estimativas internacionais, que apontam para um acréscimo entre 15% e 30% durante os meses de verão. Para reduzir esse impacto, basta adotar alguns cuidados simples, como evitar abrir a porta mais vezes do que o necessário e manter a temperatura regulada para os 4 °C, valor este recomendado pela ADENE.
O ar condicionado funciona de forma semelhante, mas com uma diferença importante a considerar, visto que o tempo de utilização deste aparelho depende inteiramente de quem o usa. Em vez de esperar que a casa aqueça demasiado, ligá-lo mais cedo, quando a temperatura interior ainda é moderada, permite que o equipamento trabalhe de forma mais eficiente. A DECO PROteste recomenda também manter portas, janelas e estores fechados durante as horas de maior calor, reduzindo o esforço necessário para arrefecer a casa. São estas pequenas mudanças que não alteram o preço da eletricidade, mas podem diminuir significativamente a energia consumida e, por isso, o valor da fatura no final do mês.
O que isto significa mesmo 👇
No final, a fatura da eletricidade resulta da combinação entre o consumo e o preço do kWh. E esse preço pode variar consoante a tarifa, o comercializador e o mercado da energia. Por isso, um contrato que era uma excelente opção há um ou dois anos pode já não o ser hoje, mesmo que os hábitos de consumo em casa permaneçam exatamente os mesmos.
É precisamente por isso que faz sentido rever o contrato de energia de forma regular e, em vez de comparar tarifas apenas uma vez e assumir que essa continuará a ser a melhor escolha, o AutoSwitch do Manie acompanha continuamente a evolução do mercado e analisa o perfil real de consumo. Sempre que identifica uma opção mais vantajosa para aquele caso específico, informa o utilizador através do envio de uma proposta de alteração de comercializadora, dando ao utilizador 48h para avaliar e decidir se pretende cancelar. Caso o utilizador não cancele, o switch avança de forma automática. Desta forma, a poupança deixa de depender da disponibilidade de cada pessoa para acompanhar o mercado e passa a acontecer de forma simples, contínua e automática, atribuindo sempre o controlo ao titular do contrato.
Perguntas frequentes 🙋
Se o frigorífico é barato por hora, porque pesa tanto na fatura ao fim do mês?
Porque a fatura soma o consumo ao longo do mês, não por hora isolada. Uma potência baixa, mantida 24 horas por dia, 30 dias por mês, acaba por ultrapassar aparelhos muito mais potentes mas usados apenas alguns minutos ou horas por semana.
Vale a pena preocupar-me com a hora a que carrego o telemóvel ou ligo uma lâmpada?
Não muito. A diferença entre hora de vazio e hora de ponta, nestes casos, é de frações de cêntimos. Vale mais a pena prestar atenção aos aparelhos de maior potência, como o forno, máquina de lavar, secador, ferro de engomar, onde efetivamente a mesma hora pode custar o dobro consoante o momento do dia.
O que é o "consumo fantasma" e vale a pena preocupar-me com ele?
É a eletricidade gasta por aparelhos que ficam ligados à tomada mesmo em standby. Isoladamente cada aparelho pede pouca potência, mas como fica ligado o dia inteiro, o conjunto de uma casa pode representar até 11% da fatura.
Porque é que o frigorífico gasta mais no verão?
Porque a diferença entre a temperatura ambiente e a temperatura interna é maior, e o compressor liga com mais frequência para a compensar. Manter a porta fechada e a temperatura nos 4°C recomendados ajuda a limitar o aumento.
O ar condicionado é um aparelho caro?
Por hora, não é dos mais caros, visto que custa o mesmo que um aspirador ou uma máquina de lavar roupa. Torna-se relevante na fatura por ficar ligado muitas horas seguidas nos dias mais quentes, não pela potência em si.
Com que frequência mudam os preços da eletricidade?
As tarifas reguladas da ERSE são revistas anualmente, para o ano civil seguinte. No mercado livre, os comercializadores podem ajustar as suas ofertas com mais frequência. Por isso é que o AutoSwitch do Manie continua a verificar o mercado por ti, em vez de comparar só uma vez.


